O professor da Universidade de Columbia nos EUA Peter Marcuse, apresentou durante o FSU o projeto oficial da prefeitura de Nova Iorque para a utilização da área onde ficavam as Torres Gêmeas. Em contraponto, mostrou outro projeto, um alternativo desenvolvido com a participação da população. Este segundo apresenta preocupações de relevância social no qual, por exemplo, há espaços públicos de lazer aberto a todos ao invés de espaços privados, como se sugere no primeiro. Contudo, nenhum dois dois projetos garantiu fundos para ser implementado.
Marcuse ressaltou que em Nova Iorque, como em diversas outras cidades, a valorização imobiliária só traz benefícios aos próprios especuladores imobiliários. Já a professora Ermínia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, falou do problema como fruto do “capitalismo periférico”. De acordo com Ermínia, além dos especuladores imobiliários, outro setor bastante interessado na ‘revitalização’ de áreas centrais e portuárias são o de empreiteiras e construtoras.
Ela denuncia que as empreiteiras apresentam os projetos para os governos. E garantiu que o fato dessas empresas serem as principais financiadoras de campanhas eleitorais faz com que governos aceitem estes projetos. Já os especuladores imobiliários, opina a professora, se aproveitam da valorização dessas áreas recebendo, inclusive, subsídios públicos para construção de imóveis de luxo que vão atender a menor parcela da população.
Outro que falou sobre o assunto foi David Harvey, da Universidade da Cidade de Nova Iorque: “enquanto o setor público fica com os riscos, o setor privado fica com os lucros”, ressaltou. Harvey chamou atenção para o investimento dos governos em realizar “espetáculos” como as Olimpíadas. Para ele, esta é uma forma de estimular o consumo instantâneo para espectadores passivos. Por isso, o professor alerta que a sociedade deve “fazer seu próprio espetáculo” e se mobilizar para garantir cidades mais justas.
Fonte: Agência Pulsar Brasil