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Archive for the ‘– Justiça Ambiental na Cidade’ Category

Enquanto na manhã de hoje (25/03) no Fórum Urbano Mundial, organizado pela ONU, conferencistas discutiam desenvolvimento de tecnologias chamadas de sustentáveis para preservação do meio ambiente, palestrantes do Fórum Social Urbano ressaltam a necessidade de abordar a questão ambiental de maneira mais ampla.

Khailda Bouzar, do Programa ambiental das Nações Unidas, assim como o secretário Executivo da Comissão Economica Européia das Nações Unidas, citaram os investimentos sustentáveis em edificações e construções civis como um caminho a ser seguido. Eles responsabilizam as construções civis por grande parte da emissão dos gases de efeito estufa.

Mas, para o pesquisador Marcelo Firpo, da Fiocruz, que debatia justiça ambiental no Fórum Social Urbano,  a atenção dada a essas questões ainda é pouca para realmente  que um desenvolvimento sustentável seja alcançado. E ressaltou: ” isso deve atinjir a sociedade de maneira igualitária”. Para ele, o debate travado pelos representantes da ONU é muito tecnicista, sendo as medidas são paliativas.

De acordo com Marcelo, os prejuízos ambientais são distribuídos desigualmente entre ricos e pobres. Um exemplo concreto foi exemplificado no próprio mesa de deabtes. Rosilene de Freitas, do Coletivo “A Baía de Sepetiba pede Socorro” , denunciou a situação das populações atingidas pela instalação da  Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), Zona Oeste da cidade do Rio.

A instalação da transnacional tem causado sérios impactos ambientais, inclusive, aos pescadores locais. A trasnacional, quan ainda não começou a operar, será uma das maiores responsáveis pela emissão de gás carbônico na atmosfera no estado do Rio. Além da contaminação das águas, já houve casos em que pescadores dispostos a denunciar a situação sofreram ameaças de morte por parte de integrantes de milícia, muito presente na região. O caso demostra que a falta de justiça ambiental também cria problemas urbanos como o aumento da violência e de desigualdades sociais.

Fonte: Agência Pulsar Brasil

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Hoje o Fórum Social Urbano se concentra sobre o conflito socioambiental nas cidades. Para pesquisadores e ativistas, ao contrário do discurso da mídia comercial, os efeitos das mudanças climáticas não atinge a todos igualmente.

O pesquisador Marcelo Firpo, da Fiocruz, assinalou que a questão ambiental tem que levar em conta a desigual destribuição dos prejuízos da degradação da natureza. Para ele, o desenvolvimento científico e tecnológico não tem propiciado avanços na preservação do ambiente e melhoria na vida das populações.

Já Henri Acselrad, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur-UFRJ), aponta a necessidade de “combatermos a visão propagada pela mídica comercial de que a destruição do meio ambiente atinge a todos igualmente”.

O urbanista afirmou que “o debate ambiental tem que ser classista”. E exemplificou: “Na época do furacão Katrina, que arrasou regiões dos Estados Unidos, um país rico do mundo, os que morreram foram os negros e pobres que não tinham acesso à política de saúde e moradia”.

Também participam do debate Rosilene de Freitas, do Coletivo “A Baía de Sepetiba pede Socorro” , e Paulo Alentejano, que é  membro da Associação Brasileira de Reforma Agrária e da Associação dos Geógrafos Brasileiros.

Fonte: Agência Pulsar Brasil

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Na ânsia de atender a grandes empresas, política ambiental do banco carece de critérios mais transparentes. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresenta falta de transparência com relação aos critérios para a sua política ambiental.

A denúncia é feita por Gabriel Strautman, secretário executivo da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais. “Devemos exigir que o banco adote critérios claros e transparentes para sua política ambiental pois, atualmente, não sabemos como ele enquadra o risco de um projeto de hidrelétrica, por exemplo.” A crítica recai sobre um banco público que tem a missão de financiar projetos de interesse público, mas está de costas para isso e critérios ambientais não são considerados como deveriam para a liberação dos financiamentos.

A agressiva política de crescimento a qualquer custo tem levando à destruição massiva da sociobiodiversidade e à desterritorialização de comunidades tradicionais. Isso foi agravado pelo processo de flexibilização da legislação ambiental e pelo desmonte do sistema de gestão ambiental para torná-lo adequado às metas estabelecidas pelo governo federal. Desse modo, o BNDES cumpre um papel importante para a concretização de tais políticas ao agir como avalizador de financiamentos mesmo antes da finalização dos procedimentos legais de licenciamento, criando um ambiente de negócios bastante favorável às empresas. Um exemplo típico dessa postura foi o financiamento das usinas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em que o BNDES sozinho assumiu o compromisso de financiar 80% dessas polêmicas obras, mesmo antes de qualquer avaliação de viabilidade econômica e socioambiental do projeto ter sido realizada.

“Cada vez mais o banco vem operando a partir de uma lógica privada que leva em conta basicamente critérios técnicos e financeiros e desconsidera os aspectos sociais e ambientais. Isso explica porque ele financia projetos de pecuária na Amazônia, por exemplo. Então nos perguntamos se o banco sabia ou não sabia que determinado problema iria acontecer, como por exemplo, a morte de dezenas de toneladas de peixes durante a construção da barragem de Santo Antônio. Antes de liberar o financiamento, deveria, minimamente conhecer os problemas sociais e ambientais que esses projetos podem causar. Por isso consideramos que o BNDES também é responsável pelos danos socioambientais que acontecem em todos os grandes projetos que financia”, declara o secretário da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais.

 Fonte: Brasil de Fato, por Alexania Rossato.

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Mangueiras e jambeiros no quintal, meninos se lambuzam e contam caso
Coentro, pimentão e cebolinha na horta pra lembrar a tradição nordestina
Por destino, não por acaso
Pra reforçar contra a gripe, banana e abacate sem veneno,
Acerola e limão
Mas se resfria não tem jeito
Guaco, cidreira, mel
Cama e carinho de vó para o cansaço
Vou guardar minhas sementes pra passar pros meus amigos
Produzir uma mudinha pra tudo ficar florido
Alegrando o quintal e a nossa vida, encontrando e trocando
Nesse dia-a-dia da cidade, apesar de tão corrido
 
 Denis Monteiro – Agricultor Urbano.
 

O Rio de Janeiro é o segundo maior município do Brasil em termos populacionais, é majoritariamente urbano, e apresenta graves problemas de insegurança alimentar e nutricional, afetando principalmente comunidades de baixa renda. É nesse contexto que grupos comunitários e pastorais sociais, há dez anos, vêm incentivando o aproveitamento de quintais das casas e outros espaços urbanos para a prática da agricultura, visando melhorar as condições de alimentação e saúde das populações.

Ao utilizar quintais das casas para produzir alimentos, plantas medicinais e ornamentais, as famílias resgatam tradições e vão redesenhando o seu espaço de vida. Dessa forma, locais antes destinados ao descarte de entulhos ou sem utilização, transformam-se em ambientes agradáveis e produtivos: motivo de orgulho para bairros. Os alimentos produzidos sem resíduos tóxicos, a partir de recursos existentes nas próprias comunidades, complementam a alimentação, principalmente com frutas e hortaliças que não seriam consumidas caso não fossem produzidas no próprio quintal. Para as famílias mais pobres essa é, muitas vezes, a única maneira de acessarem esses tipos de alimentos, relegados ao segundo plano, devido ao alto preço ou à dificuldade de acesso via mercados locais.

Em pequenas hortas agroecológicas é possível produzir até 15 kg de verduras e legumes por metro quadrado ao ano, além de frutas em abundância. Um único abacate, por exemplo, pode suprir a metade das necessidades diárias de calorias de um adulto. As famílias produzem alimentos de qualidade nos quintais das casas a um custo muito baixo. Práticas que envolvem crianças demonstram que é muito mais fácil incentivar uma alimentação saudável quando elas também plantam e colhem alimentos.

A produção de plantas medicinais também é bastante significativa, estando presente em quase todos os quintais produtivos. Assim, são preparados remédios caseiros para problemas comuns de saúde, tais como dores de cabeça, resfriados e gripes, doenças de pele, diarreias, entre outras. Preparados de forma caseira ou em grupos de produção organizados, os remédios representam uma economia de mais de 50% em compras de medicamentos para algumas famílias. Muitas relatam a total eliminação do uso de medicação convencional. Além disso, o preparo de remédios caseiros é uma forma de resistência aos apelos e a exploração econômica da indústria farmacêutica.

Os grupos comunitários envolvidos passam a incorporar em seu cotidiano o incentivo à agricultura urbana de maneira participativa. Pouco a pouco, vão sendo tecidas redes locais que funcionam como pontos de suporte à prática. Essas redes incentivam os moradores a utilizarem criativamente os espaços urbanos para a produção, facilitando o acesso a informações, sementes e mudas, e promovendo trocas de experiências e um ambiente de interação social.

A valorização dos conhecimentos e práticas de agricultura urbana e o incentivo à experimentação fortalecem a auto-estima dos moradores da cidade. Os encontros entre agricultoras e agricultores urbanos estimulam o consumo consciente e diversificado, valorizando alimentos produzidos localmente e receitas caseiras tradicionais. Assim, a prática de agricultura urbana torna-se uma ferramenta de mobilização social e de melhoria da qualidade de vida, uma prática alternativa e crítica aos padrões correntes de consumo alimentar.

Marcio Mattos de Mendonça – Engenheiro Agronômo – Coordenador do programa de Agricultura Urbana da AS-PTA.

Fonte: PACS

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